Olhos negros que brilham na escuridão como um farol que não abdica da sua majestosa altivez, que jamais desiste de guiar aqueles que se perderam no tempo e assim lhes tenta mostrar o caminho mais seguro até à terra prometida, olhos que timidamente buscam a luz pela frincha de uma janela, com vontade de partir para o desconhecido, de finalmente defrontar qualquer obstáculo que se lhes depare no caminho sinuoso daquelas montanhas. Janela que se abre com a ajuda do vento que sopra veloz como que o querendo arrancar da sua clausura, lá fora as montanhas tortuosas que perduram no tempo e que o cercam com dentes afiados. Empurrado por uma força que ele desconhecia ter, salta daquela janela afundada num vale que só agora viu a luz, partindo em busca do sonho, escalando as montanhas, não se deixando intimidar pelos perigos que espreitam por entre cada pedra, cada árvore, cada fenda. Pedro Luís da Cunha


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