Esta noite lembrei-me de um poema maravilhoso de David Mourão-Ferreira, "Ladainha dos Póstumos Natais", genialidades que ficam para lá do tempo, mesmo que os Natais deixem de fazer sentido. Esta poema comove-me sempre, é tão bonito...
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que me hão-de lembrar
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz evoca
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que já não viva ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivos estejam versos deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem Natal terá sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o nada retome a cor do infinito
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
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