Ontem estava a ver um filme para me entreter um pouco, o último “Rocky”, na verdade estava a revê-lo, porque já o tinha visto antes. Eu sempre fui apaixonado por boxe, herdei isso do meu avô materno, lembro-me de vermos combates na televisão, quando ainda os transmitiam há uns anos atrás, no tempo do Tyson, do Hollyfield e daquele outro que veio depois… Esqueci-me do nome, eu já me lembro. O Tyson fascinava-me, tinha um querer, uma sede de vencer que até comia orelhas se preciso fosse, podia não ser justo ou bonito de ser ver, mas aquele homem veio do nada, teve que batalhar muito. Soube que a sua filha de quatro anos morreu este ano, acho que tinha quatro anos, pobre homem, o sofrimento persegue-o, deve ser horrível perder um filho, quanto mais em tão tenra idade.
Dizia eu que estava a ver o filme e ao olhar para aquele Stallone de meia-idade, já não tinha o mesmo olhar e ao mesmo tempo… Foi estranho, o sujeito sempre foi crucificado, “não sabe falar, tem a boca torta” diziam os críticos do costume. Vi que aquele filme foi uma luta pessoal, como a dizer “estou vivo, ainda tenho força”, entendem? Estou a escrever e a na minha cabeça martela-me a música do filme, tem uma força aquele tema. O raio do filme é emocionante, um sujeito de meia-idade que perdeu o estrelato, morreu-lhe a mulher que tanto amava e sempre o apoiou, o filho anda na vida dele e vive ele próprio um drama pela inveja que tem do pai, o tipo anda sempre sozinho lá no seu restaurante, no bairro de sempre, a casa de sempre, o cunhado ainda mais velho e só que ele e de repente decide que quer tentar uma última vez. Têm uma coragem física estes homens, sobem ao ringue e sabem que vão apanhar com uma força demolidora, mas algo os empurra para lá, admiro-os por isso, são guerreiros, vêm todos do nada, dos bairros mais pobres, admiro essa gente. Para os eruditos do cinema este filme pode não valer um chavo mas emocionou-me ver aquela batalha interior do actor, do personagem, estava bem esgalhado, no final de todos os rounds o gajo estava de pé, pouco lhe importava se tinha ganho ou perdido o combate, ele estava de pé e o povo gritava o seu nome, tinha conseguido, estava em paz com ele mesmo.
Penso muitas vezes que o que importa não é o final mas sim a viagem, muitas vezes não saímos vencedores e ao mesmo tempo sentimo-nos bem na nossa pele, isso porque remamos contra a maré, contra todas as hipóteses chegamos ao fim. Há uma frase no filme que adorei, “A questão não é o quão forte tu bates mas sim o quão forte tu podes ser atingido e seguir em frente. O quanto podes aguentar e continuar a seguir em frente”, isto é de uma verdade incrível, já repararam? O grande homem, o grande guerreiro, é aquele que mesmo levando toda a pancada possível e imaginável da vida levanta-se sempre e continua em frente, sem medo.
Lembrei-me do nome do outro pugilista campeão de pesos pesados, era o Lewis, venceu por ko o Tyson, esse combate foi o fim dele, por acaso recordo-me bem. Foi o último dia da sua grande viagem e a sua maior vitória foi abraçar o adversário no final, algo que nem parecia dele, até porque havia muita rivalidade antes daquele combate, ele perdeu, levantou-se a abraçou o Lewis, finalmente estava em paz.


1 comentário:
Bela homenagem a todos os guerreiros e ao boxe.obrigado brother.gosto desse filme e como sou pugilista diz-me mt.abraço
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